Werner Herzog já se embrenhou na Amazônia, enfrentou o gelo polar e pesquisou as mensagens pintadas nas cavernas por nossos ancentrais.  Em seu mais recente documentário, o cineasta alemão visita um novo território: a fluida e ainda opaca internet.  Lo and behold – Reveries of the connected world  vai mostrar Herzog viajando pela fronteira ainda sem lei do mundo virtual. Uma terra de ninguém, espécie de Velho Oeste, de trilha de bandeirantes, universo supostamente indomado para o qual alguns juram ter respostas e vias de acesso.

O diretor de Fitzcarraldo percorreu os campos minados de fóruns on-line e convenções de hackers. Sempre que possível, disparou perguntas da plateia ou de seu computador, como qualquer participante anônimo destes encontros ora presenciais, ora totalmente virtuais.  Também visitou os laboratórios onde a internet começou a ser inventada, ainda como uma arma militar em plena Guerra Fria. Uma das curiosidades do filme é podermos ver um gigantesco pré-computador, do qual, reza a lenda um primeiro pacote de dados não conseguiu ser enviado com sucesso: a palavra “login” foi interrompida antes do “in”. Para além da rede e do mundo cada vez mais real das redes sociais Herzog visitou especialistas em robótica, os responsáveis pelos projetos de colonização de outros planetas e cientistas responsáveis pelas mais novas plataformas no cyberespaço.

Em entrevista recente ao jornal The Guardian,  afirmou que não se posiciona de maneira maniqueísta em relação à internet: “Eu seria cauteloso para dizer que é boa ou ruim. Nós não faríamos essa pergunta em relação à eletricidade, não é?”. Disse ainda que não tem nada contra a rede “em si”, mas sabe que é preciso estar atento a ela no momento em que vive um boom, muito semelhante ao dos “carros nos Estados Unidos da Era Elvis”: “O que precisamos aprender é a usar a internet responsavelmente”, acredita ele, que no filme também entrevista vítimas de assédio e até de crimes mais graves cometidos on line.

Lo and behold ainda não tem data de estreia prevista no Brasil, mas os admiradores da obra de Herzog no país já têm à disposição um outro documentário recente, ainda quente. No caso, quentíssimo: Visita ao inferno (Into the inferno) foi feito especialmente para o Netflix e mostra este criador inquieto enfrentando os mais violentos vulcões do mundo. O mesmo diretor que visitou a devastação causada pela tecnologia também nos faz encarar, através do fogo, uma realidade telúrica e incontornável: “A fúria da natureza nos expõe a todos, igualmente”, como afirma um de seus entrevistados.