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A Caju presta uma homenagem ao cantor e compositor Belchior, que morreu ontem, no Rio Grande do Sul.  Ele passou os últimos anos de vida recluso, endividado, envolto em uma névoa de incongruência e silêncio. Nada, no entanto, foi capaz de diminuir ou macular seu talento. Nascido em Sobral, no Ceará, Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes faria 71 anos no fim de outubro. Começou a cantar em coros de igreja e atuando como repentista de feiras livres, ainda menino. Mudou-se para Fortaleza no fim dos anos 1960 e, em 1971, abandonou a faculdade de Medicina para se dedicar à música.

Nessa playlist da coluna Vitrola, lembramos seus grandes sucessos, alguns em gravações curiosas e raras. Há Mucuripe, parceria com Fagner lançada por Elis Regina e também gravada por Roberto Carlos. Há duas versões de Galos, noites e quintais – a histórica, com Jair Rodrigues, e uma raríssima, em que o humorista Chico Anysio confessa que gostaria de ter escrito a canção, para depois interpretá-la. Há Hora do almoço, trova que foi uma das razões para o cantor ser comparado a Bob Dylan. Há sucessos como Paralelas, Rapaz latino-americano Como nossos pais – esta última na voz de Elis. Há Todo sujo de batom na voz aveludada de Antonio Marcos, recém falecido. E A palo seco interpretada por Belchior e a banda Los Hermanos, em apresentação no programa Altas horas – uma arranjo para ouvir muitas e muitas vezes. Não resistimos e também selecionamos Medo de avião em dose dupla: retirada do vinil, na gravação original, e num clipe feito para o programa Os Trapalhões. O artista morreu ontem sem ter o merecido reconhecimento para seu cancioneiro, vindo de uma linhagem muito singular da música brasileira. Mas a arte regenera: a vida de Belchior será reescrita todas as vezes em que ele for ouvido.

“E eu quero é que ess canto torto feito faca corte a carne de vocês”.

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Foto de Daniela Name.