“O pulso ainda pulsa” e o corpo d@ artista ainda vibra e resiste à tentação de adormecer. E é para celebrar o pulsar dos corpos que artistas de variadas origens, formações e poéticas compõem a mostra de performances “Pulso”. 

No dia 12 de outubro, Lais Castro, vinda da zona oeste do Rio de Janeiro e com formação em dança pela UFRJ, se utiliza de narrativas autobiográficas e de uma subjetividade periférica em seu trabalho. Mery Horta, que também vem da zona oeste da cidade, é passista de escola de samba e doutoranda em artes pela UFRJ, apresenta uma ação que relaciona corpo, papel e escrita. Panmela Castro, nascida no subúrbio carioca, Mestra em artes pela UERJ e conhecida internacionalmente por seus graffitis, traz uma performance que aborda o tema da violência contra a mulher. Já a gaúcha Patrícia Francisco, doutoranda em artes também pela UFRJ, faz uma ação coletiva que envolve festejo e religiosidade dentro de sua pesquisa sobre a memória da escravidão no Brasil. 

No dia 23 de novembro, Jessica Kloosterman, artista cuja trajetória é marcada por intervenções urbanas, formada pela Escola de Belas Artes da UFRJ, vai trazer à galeria uma fala repetitiva para tratar da invisibilidade de certos corpos femininos. Juliana Wähner, alemã radicada no Brasil, com formação em dança pela Angel Vianna e integrante do coletivo “És uma Maluca”, nos fará refletir em seu trabalho sobre a animalidade latente ao corpo humano. A artista carioca e atleta do mar Marcela Antunes, Mestra em artes pela UERJ, fará uma ação específica para o espaço da Galeria Aymoré, dentro de sua pesquisa onde o corpo interage com objetos ou se torna objeto. As ações de Mariana Maia, por sua vez, tratam da relação entre negritude, objetos e corpos femininos. Além de artista da performance, Mariana é Mestra em Artes pela UERJ e professora na rede pública de ensino do Rio de Janeiro.

O que essas artistas têm em comum, dentro da diversidade de suas ações, é a coragem e a ousadia de falar com o corpo, ou mesmo gritar com o corpo, no atual contexto de ameaças à democracia, à arte e à vida. Esse corpo ainda tão reprimido mas que guarda, no fundo, toda a sua potência subversiva. 

 

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Trabalho em destaque na imagem deste texto:

Mery Horta. Papel do corpo, 2019. Foto de divulgação