A peça homônima de Samuel Beckett dá nome a esta exposição e a dois trabalhos em néon que a artista paulistana apresenta em sua primeira individual no Rio, a convite das curadorias da Galeria Aymoré (Gabriela Davies) e da Revista Caju (Daniela Name). As duas frases que aparecem nos luminosos “Dias felizes” – “Nem pior nem melhor na mesma” e “Nada de dor quase nada” fazem menção à saga da personagem Winnie, uma mulher que, enterrada da cintura para baixo, numa paisagem com sol a pino, tenta inventariar os objetos dentro de sua bolsa, os únicos índices de sua relação com o mundo que ainda consegue alcançar. Já a série de pinturas Não eu faz referência a outra peça de Beckett, encenada pela primeira vez em 1972 e registrada ainda como uma performance em vídeo. Nestes trabalhos, Regina reúne autorretratos em que aparece com o corpo contorcido, demonstrando exaustão por demasiado esforço e/ou sem conseguir caber no espaço que se apresenta. Os impasses entre a ação e inação, fala e silêncio, espera e sobressalto, tão caros à obra de Beckett, também norteiam a obra da artista e as encruzilhadas que ela vem criando entre corpo, cidade e palavra. Esta entrevista teve perguntas formuladas por Daniela Name e Priscila Medeiros, respectivamente curadora e curadora-assistente da Caju.