A frase do título saiu da canção Pecado original, de Caetano Veloso. Na psicanálise, o desejo, desde Freud, está além do princípio do prazer e, por que não dizer, seria estruturalmente perverso. São as “dores e as delícias” misturadas nisso que Caetano cantou em seu Dom de iludir (1986) e que Lacan arrumou como modo de acessar o real – o gozo.

O desejo, portanto, não se adapta, não é educável, não é suscetível a uma pedagogia ou a uma sexologia. O desejo, para a psicanálise, é indestrutível e, portanto, insatisfeito. Não há satisfação possível pois ele desliza, escorrega de lá pra cá, dentro da cadeia dos significantes, o que levou Lacan a falar em metonímia do desejo.

Onde queres revólver, sou coqueiro

E onde queres dinheiro, sou paixão

Onde queres descanso, sou desejo

E onde sou só desejo, queres não

E onde não queres nada, nada falta

E onde voas bem alta, eu sou o chão

E onde pisas o chão, minha alma salta

E ganha liberdade na amplidão

Onde queres família, sou maluco

E onde queres romântico, burguês

Onde queres Leblon, sou Pernambuco

E onde queres eunuco, garanhão

Onde queres o sim e o não, talvez

E onde vês, eu não vislumbro razão

Onde queres o lobo, eu sou o irmão

E onde queres cowboy, eu sou chinês

Ah! bruta flor do querer

Ah! bruta flor, bruta flor

Onde queres o ato, eu sou o espírito

E onde queres ternura, eu sou tesão

Onde queres o livre, decassílabo

E onde buscas o anjo, sou mulher

Onde queres prazer, sou o que dói

E onde queres tortura, mansidão

Onde queres um lar, revolução

E onde queres bandido, sou herói

Eu queria querer-te amar o amor

Construir-nos dulcíssima prisão

Encontrar a mais justa adequação

Tudo métrica e rima e nunca dor

Mas a vida é real e de viés

E vê só que cilada o amor me armou

Eu te quero (e não queres) como sou

o te quero (e não queres) como és

Ah! bruta flor do querer

Ah! bruta flor, bruta flor

Onde queres comício, flipper-vídeo

E onde queres romance, rock’n roll

Onde queres a lua, eu sou o sol

E onde a pura natura, o inseticídio

Onde queres mistério, eu sou a luz

E onde queres um canto, o mundo inteiro

Onde queres quaresma, fevereiro

E onde queres coqueiro, eu sou obus

O quereres e o estares sempre a fim

Do que em mim é de mim tão desigual

Faz-me querer-te bem, querer-te mal

Bem a ti, mal ao quereres assim

Infinitivamente pessoal

E eu querendo querer-te sem ter fim

E, querendo-te, aprender o total

Do querer que há e do que não há em mim

(O quereres. Caetano Veloso)

 

Fica tudo mais fácil quando escutamos a poesia de Caetano Veloso transmitindo algo dessa condição do desejo, que desliza no significante, que escapa e se relança, marcando a diferença entre o desejo e a simples demanda, ou se preferem: entre o que é do desejo e o que seria da simples necessidade. Onde queres isto, eu sou aquilo, um esconde-esconde, um jogo de pega-pega que a mão resvala no desviante do desejo: “Comigo não tá!”

Pensando assim, fica mais acessível uma certa caricatura pela qual se comunica a ideia de que o analista (lacaniano) não fala, ou fala pouco: o analista não responde a demanda do analisando. “Onde queres blá, blá, blá, como uma vez disse o próprio Lacan, “eu sou puro silêncio”, Caetano talvez dissesse. Afinal, se a demanda estaria no registro da necessidade, o que não interessa à análise, o analista opera ao nível do desejo e seria aqui, no campo do desejo onde caberia uma pontuação, uma escansão, uma interpretação, uma palavra que coloque as coisas em movimento: “onde queres um lar, revolução”, afinal não somos mais senhores de nossa própria casa a partir da revolução proposta por Freud com o inconsciente – “terceira ferida narcísica da humanidade”.

Se para a psicanálise o desejo não pode ser educado, se ele não responde à uma logica dessas que o capture para satisfazê-lo e exauri-lo por completo, ele ainda assim estaria suscetível a uma ética. E o que diz essa ética que Lacan formulou para a psicanálise e para o desejo na década de 1950? Se no seminário sobre as psicoses Lacan diz que, diante da loucura, o analista “não deve recuar”, em relação ao desejo ele avança para dizer que a única coisa que o sujeito tem a fazer neste campo seria não ceder de seu próprio desejo.

 

Não me queixo

Eu não soube te amar

Mas não deixo

De querer conquistar

Uma coisa qualquer em você

O que será?

(Eclipse oculto. Caetano Veloso)

 

           

O desejo, para a psicanálise, não se resume a um conjunto de escolhas pessoais do sujeito e a própria noção de sujeito tem lá suas particularidades. Vamos a elas: sujeito, para a psicanálise, é apenas um efeito recolhido, efeito de sujeito, algo que aparece no circuito estabelecido entre dois, entre o eu e o outro e que logo se desbota e desaparece, vem e vai. É possível se compreender isso sabendo que no âmbito do Eu existe algo a ele estranho (Unheimlich) e, em resumo, seria essa parte estranha do Eu que Lacan chama por sujeito. É aí que se encontra o desejo. Em francês, ele marca uma diferença: entre o “moi” [mim] como o Eu imaginário e o “je” [Eu], este sujeito do desejo, o que coloca o sujeito em Lacan sempre como descentrado nele mesmo. Seria sempre em torno dessa sombra errante e estranha do Eu que as coisas do mundo se arrumam, se estruturam, se organizam.

 

A noção de desejo em Lacan se desenvolveu a partir do ensino de Hegel, através da palavra de Alexandre Kojève, filósofo russo, professor de Lacan: aqui vale a insistência de Lacan em dizer que o desejo não possui um objeto que o satisfaça completamente. Nesse sentido, Lacan partiu da concepção de desejo que dizia quenão desejamos objetos propriamente e sim desejos, outros desejos. Novamente Caetano Veloso nos ensina sobre esta face do desejo, diante do Menino do Rio: “quando eu te vejo eu desejo o teu desejo” (Menino do Rio. Caetano Veloso, 1979). Existem três maneiras de entendermos essa relação com o desejo do Outro, cada uma tomada a partir dos registros que Lacan divide a experiência humana: o real, o simbólico e o imaginário.

Sobre o imaginário, em uma lição, retornaríamos ao que Lacan chamou de “estádio do espelho”. Em resumo, trata-se  de um interesse lúdico que a criança desenvolve a partir de sua imagem especular. A imagem captura a criança e ela se identifica com essa imagem. Trata-se de uma identificação imaginária, fruto de uma alienação desenvolvida por aquilo que aparece do lado de fora, no espelho. Isso é importante por que? Porque nos dá sinais de resposta sobre a questão do desejo como desejo do Outro. Portanto, no sentido imaginário, dizer que o desejo é desejo do outro significa dizer que o sujeito se encontra em algo situado fora de si, modelando-se à imagem e semelhança de um pequeno outro imaginário, seu pai, um irmão, amigo e por aí vai. Identificado com essa imagem, fazendo dela seu suporte, ele pode orientar suas escolhas a partir desse ponto de apoio. Com isso, Lacan sublinha que o desejo não se orienta por um objeto positivamente buscado na realidade, mas um objeto, um lugar ou, se preferirem, uma posição no desejo do outro. A criança que vê o irmão no colo da mãe e logo pensa: “é ali que eu quero estar, pois é ali que está o desejo de minha mãe”, por exemplo.

Lacan explica: “um objeto temido, desejado, é ele ou eu quem o terá, tem de ser de um ou de outro. E quando é o outro que o tem é porque ele me pertence”. Se tomarem essa trilha imaginária, percebam: o sujeito quer o que o outro quer, o que nos autoriza dizer que ele quer porque é o outro quem quer: algo parecido com “a grama do vizinho é sempre mais verde”. Pois bem, se o sujeito deseja idêntico ao que os outros desejam, chegamos ao ponto implacável desta convergência: a rivalidade e a agressividade típicas do terreno imaginário. Mas, se o imaginário é campo de guerra e rivalidade, ele também é terreno para o amor!

A sua coisa é toda tão certa

Beleza esperta

Você me deixa a rua deserta

Quando atravessa

E não olha pra trás

Linda

E sabe viver

Você me faz feliz

Esta canção é só pra dizer e diz

Você é linda

Mais que demais

Vocé é linda sim

Onda do mar, do amor

Que bateu em mim

Você é forte

Dentes e músculos

Peitos e lábios

Você é forte

Letras e músicas

Todas as músicas

Que ainda hei de ouvir

No Abaeté

Areias e estrelas

Não são mais belas

Do que você

Mulher das estrelas

Mina de estrelas

Diga o que você quer

Você é linda

E sabe viver

Você me faz feliz

Esta canção é só pra dizer e diz

Você é linda

Mais que demais

Você é linda sim

Onda do mar, do amor

Que bateu em mim

(Você é linda. Caetano Veloso)

**

Odeio você

Odeio você

Odeio

Veio um garoto do arraial do cabo

Belo como um serafim

Forte e feliz feito um deus,

Feito um diabo

Veio dizendo que sim

Só eu, velho, sou feio e ninguém

Veio e não veio quem eu desejaria

Se dependesse de mim

São Paulo em cheio nas luzes da Bahia

Tudo de bom e ruim

Era o fim, é o fim,

Mas o fim é demais também

Odeio você

Odeio você

Odeio você

Odeio

(Odeio. Caetano Veloso)

 

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O simbólico em dois momentos: na vertente da palavra, uma função pacificadora e de identificação, capaz de mediar a dimensão de rivalidade (de guerra) no campo do imaginário. Nesse sentido, o sintoma poderia ser entendido como um defeito de simbolização – uma certa opacidade no sujeito de criado por algo que não passou à palavra, não foi verbalizado. A própria ideia de trauma poderia ser entendido como a tradução desta zona de opacidade que a cura analítica se propõe a restaurar através de um trabalho de significação retroativa, por exemplo. Dizendo de outra forma com Lacan: “o inconsciente seria um capítulo censurado da história do sujeito”; na vertente da ordem simbólica, o simbólico seria o campo do grande Outro (escrito com O maiúsculo, com a letra A em francês), O Outro da Lei, o grande Outro da linguagem, “tesouro do significante”, e por aí vai. Esse Outro que, dentro de mim, me habita e, portanto, seria também o Outro do desejo: desejo do inconsciente, desejo opaco ao sujeito.

No terreno do simbólico, seria o grande Outro que apresenta as coordenadas a partir das quais o imaginário se orienta. Voltemos rapidamente ao estádio do espelho, onde a imagem que aparece no espelho só se estabiliza com a chancela do Outro encarnado no assentimento do pai, da mãe, de um irmão mais velho, por exemplo, que valida a imagem reconhecida no espelho como reflexo da criança. Esse aval do grande Outro, encarnado neste assentimento do adulto que chancela o valor daquela imagem, é a segunda operação que unifica um corpo – arrumando aquilo que antes era pura agitação. Lembramos ainda que o Outro antecede o sujeito. A linguagem já existia para que o sujeito pudesse vir a habita-la. Esse grande Outro como terreno da linguagem pode ser entendido como uma organização preexistente a todos nós, um conjunto de normas ou, se quiserem o Outro da lei simbólica.

 

Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões

Gosto de ser e de estar

E quero me dedicar a criar confusões de prosódias

E uma profusão de paródias

Que encurtem dores

E furtem cores como camaleões

 

Gosto do Pessoa na pessoa

Da rosa no Rosa

E sei que a poesia está para a prosa

Assim como o amor está para a amizade

 

E quem há de negar que esta lhe é superior?

E quem há de negar que esta lhe é superior?

E deixe os Portugais morrerem à míngua

Minha pátria é minha língua

Fala Mangueira! Fala!

 

O que pode esta língua?

(Língua. Caetano Veloso)

 

Contudo, o grande Outro, ainda que se imponha como um todo poderoso e completo conjunto ordenador de tudo, deixa um espaço vazio em seu campo.  Partindo da noção de desejo como falta, podemos dizer agora que esse objeto que falta ao sujeito é o próprio desejo do Outro como falta. Simplificando: isso que falta ao sujeito é o desejo de que algo também falte no Outro, um furo constitutivo da própria linguagem. Diante da pergunta o que o Outro quer de mim? abre-se um pequeno espaço vazio para que o sujeito possa constituir-se como desejante, se situando em relação à esse desejo. Por exemplo,para ficar mais palpável, posso me reconhecer em relação à essa pergunta do grande Outro como um “bom aluno na faculdade”, “um sujeito correto e justo com meus semelhantes”, um “grande atleta”, um “erudito, estudioso”, e por aí vai…. Naturalmente, e isso já deve ter fica claro para vocês, que essa relação também guarda sua parcela imaginária e que essa resposta à pergunta do grande Outro não pode ser total. Nem poderia, pois essa pergunta precisa ser relançada para que o desejo assim também o seja. Nestes termos, o sujeito (na neurose) se oferece como resposta para manter a falta no campo do Outro, sendo essa a condição fundamental para que a própria falta do sujeito se perpetue mantendo aceso o desejo.

Eu sou a chuva que lança a areia do Saara

Sobre os automóveis de Roma

Eu sou a sereia que dança

A destemida Iara

Água e folha da Amazônia

Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra

Você não me pega

Você nem chega a me ver

Meu som te cega, careta, quem é você?

(Reconvexo. Caetano Veloso)

 

 

 

Para falarmos sobre a dimensão real do desejo, precisamos falar de uma das principais contribuições de Lacan para a psicanálise. Estamos falando do objeto a minúsculo, que Lacan chamou de causa do desejo. Objeto inapreensível que habita a zona de opacidade na cena montada em sua periferia. Isso que aparecer e desvanece na sombra da voz, no rastro do Olodum, na risada de Andy Warhol, no cheiro dos livros, um som que cega! Esse objeto que causa o desejo poderia ser localizado a partir do esquema lacaniano sobre as fases do espelho. Voltemos àquela cena da criança diante do espelho. Percebemos que existe um trabalho do imaginário da criança que foi  amarrado ao simbólico encarnado no assentimento da palavra do adulto que a acompanhava nessa cena mítica. Desta operação, para além do reconhecimento de uma unidade especular sobraria um resto, e esse resto do corpo não entra na imagem. Isso que não faz imagem é o que Lacan chamou de “objeto a”, como ele diz: um “resíduo não imaginado do corpo” que colocará em movimento o desejo, pois é a sua causa.

O “objeto a” seria isso que faz um furo na ordem simbólica e ao mesmo tempo coloca tudo em movimento. Esse objeto precisa estar de fora para a imagem se estabilizar, do contrário, seria tudo uma grande agitação sem imagem. Esse objeto precisa faltar, ficar de fora da cena para que esta se estruture. Imaginem vocês chegando em casa na hora do jantar, o que vocês fazem toda a noite desde que se reconhecem por gente. Na mesa da sala, a mesma mesa que seu pai herdou do seu avô, naquela mesa redonda de quatro lugares, sentam seu pai, sua mãe, seu irmão e você. Neste dia, a configuração da mesa está diferente. Nela sentam seu pai, seu irmão e sua professora de matemática do colegial. Ao longo do jantar, você começa a se dar conta que sua mãe e sua professora do colegial são a mesma pessoa e alguma coisa sobre suas reprovações em matemática ganham novo sentido. Bem, isso é só um exemplo bobo, mas percebam que quando o sujeito se aproxima dessa “professora do colegial” onde deveria haver uma cadeira vazia, ou somente sua mãe como uma personagem já encaixada em seu cotidiano montado como fantasia, isso lhe causa angústia: Alguma coisa está fora da ordem… (Caetano Veloso, 1991). Nesse sentido, a angústia seria precisamente aquilo que sinaliza a emergência do desejo do Outro experimentado como real, como presença.

 

A tua presença

Entra pelos sete buracos da minha cabeça

A tua presença

Pelos olhos, boca, narinas e orelhas

A tua presença

Paralisa meu momento em que tudo começa

A tua presença

Desintegra e atualiza a minha presença

A tua presença

Envolve meu tronco, meus braços e minhas pernas

A tua presença

É branca, verde, vermelha, azul e amarela

A tua presença

É negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra, negra

A tua presença

Transborda pelas portas e pelas janelas

A tua presença

Silencia os automóveis e as motocicletas

A tua presença

Se espalha no campo derrubando as cercas

A tua presença

É tudo o que se come, tudo o que se reza

A tua presença

Coagula o jorro da noite sangrenta

A tua presença

É a coisa mais bonita em toda a natureza

A tua presença

Mantém sempre teso o arco da promessa

A tua presença

Morena, morena, morena, morena, morena, morena

Morena

(A tua presença morena. Caetano Veloso)

 Sobre  o conceito de fantasia, sabemos que esse grande Outro oferece uma chave de compreensão a partir da qual a realidade ganha sentido. Isso quer dizer que o sujeito não lida com a realidade dita bruta, talvez seja o caso de interrogarmos inclusive se essa realidade existe, talvez tenha sido perdida desde o ingresso do sujeito na linguagem, no reino das palavras, de tal sorte que a experiência chamada por realidade já seria um enquadramento medido pelo grande Outro, ou ainda, se preferirem, a vista da realidade possível por uma janela que Freud chamou por fantasia. Portanto, podemos dizer que a realidade é uma ficção com estatuto de real. Fez sentido para vocês?

Para concluir, podemos dizer que a fantasia é o modo de interpretar o desejo do Outro e com ele negociar tempos de paz, pois ela funciona sobretudo como uma estratégia singular de evitar a angústia. Contudo, há sempre algo de inegociável no real de nossas vidas, algo que insiste, constante e que não cessa nunca, não cessa de não se escrever, como Lacan disse ao final de seu ensino. Entendendo isso, assumimos que essa última dimensão do desejo do Outro, como real, que aparece como uma exigência fora do sentido e disruptivas frente às ordenações simbólicas e imaginárias, coloca a fantasia como uma resposta sempre meio provisória frente ao desejo do Outro. No caso daquele menino que olhou para a mãe naquela noite e não a encontrou, senão a presença da professora de matemática do colégio, algo se descolou do sentido e um novo trabalho de amarração se faz necessário. Essa coisa, Das Ding freudiana, qualquer coisa que mexe dentro doida

Esse papo já tá qualquer coisa

Você já tá pra lá de Marrakesh

Mexe qualquer coisa dentro, doida

Já qualquer coisa, doida, dentro mexe

[…]

Meça: tamanha!

Meça: tamanha!

(Qualquer coisa. Caetano Veloso)

 

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FOTO DO CABEÇALHO:

Divulgação/ Fernando Young